Segunda-feira, 13 de Julho de 2009

Livro sobre os povos do Leste de Angola

Uma obra literária de história sobre os povos do Leste de Angola e do estudo à volta do fenómeno de ravinas será lançada no próximo dia 18 de Julho no pátio da rádio Luanda Antena Comercial (LAC), numa promoção da Associação de Naturais e Amigos do Leste (Asleste).

Segundo uma nota da organização, o livro é uma recolha das comunicações proferidas no 1º encontro de Reflexão Sobre a Cultura e Ambiente ocorrido em 2004 no Centro Cultural Português e que contou com a participação de autores angolanos.

A dimensão das figuras tradicionais no Leste de Angola, o uso e impacto das línguas nacionais, os tchokwé, a rainha Jinga Mbandi e a localização geográfica da baixa de Cassange fazem parte, dentre outros assuntos, da obra.

O livro, com 104 páginas, foi editado em Portugal.

A Asleste, fundada a 18 de Setembro de 1999, é uma associação de carácter sociocultural e humanitária.

Sábado, 11 de Julho de 2009

Júri do prémio de cultura e arte de Angola enaltece a forte participação da juventude

O presidente de júri do Prémio Nacional de Cultura e Artes, Mário Pinto de Andrade, manifestou hoje, na cidade do Huambo, a sua satisfação pelo envolvimento da juventude da província nas actividades artísticas do país.

Na sua visão, esta entrega dos jovens vai recrear e educar a sociedade e contribuirá para a redução do índice de violência juvenil.

A visita do júri do Prémio de Cultura e Artes ao Huambo visa esclarecer aos interessados as modalidades de outorga e incentivar maior participação da província ao certame que acontece anualmente em Novembro.

Participaram no encontro de esclarecimento 80 pessoas que se dedicam à actividade cultural na província e representantes do governo local.

Mário Pinto de Andrade explicou que o prémio foi instituído no dia 10 de Agosto de 2005, com 35 mil dólares para cada uma das sete categorias.

Com este prémio, o Ministério da Cultura pretende promover o desenvolvimento cultural e incentivar a criatividade dos angolanos.

"Não é um concurso, mas sim um prémio de avaliação da criatividade do artista, o júri só avalia o trabalho que tiver em mãos, daí a necessidade dos artistas produzirem vídeos e fotos na apresentação das suas artes " esclareceu.

Fez saber que o prémio é outorgado exclusivamente a cidadãos angolanos de forma individual ou colectiva.

O Prémio Nacional de Cultura e Artes é atribuído a sete categorias, nomeadamente literatura, artes plásticas, teatro, dança, investigação em ciências humanas, música, cinema e áudio visual.

Ao agradecer o esclarecimento do júri do prémio, o director provincial da Cultura, Pedro Chissanga, prometeu continuar a trabalhar para a melhoria da qualidade das actividades culturais na província.

Os artistas pediram mais apoio material, salas para encenação e mercado de artesanato.

No encontro de esclarecimento foram apresentadas peças de teatro, dança, poemas com grupos de adultos, adolescentes e crianças, numa actividade que alegrou o júri.

A delegação visitou uma exposição de arte no pátio da Direcção Provincial da Cultura.

Quadros diversos sobre a tradição local, peças de artesanato foram entre outras artes que preencheram a exposição.

Sexta-feira, 10 de Julho de 2009

"Pensamentos Da Alma" lançado no Luena

Uma obra literária intitulada "Pensamentos Da Alma", do escritor angolano Ngaiele Muecheno Fundão, foi lançada hoje no Luena, capital da província do Moxico, em Angola.

Composto de 42 poemas e oito crónicas, o livro teve uma tiragem de dois mil exemplares e foi editado pela Editorial Nzila. Compilado em três anos, foi patrocínio pelo Ministério da Juventude e Desportos, no âmbito do programa Angola Jovem.

Com 119 páginas, incluiu poemas como "As Caídas das Tardes numa Cidade em Véspera de Festa", "O sonho de amar", "Menino bonito mas triste", "O Março é Mesmo das Mulheres", "A Alegria do Povo", "Leito no meu Organismo" e "O Bom e o Mal das Invenções Sobrenaturais".

Já nas crónicas, destacam-se "Reclamo Sim ao Sumo da Vida", "As Minhas Damas do Computadores", "A profissão que Custou a Vida do Tchabamba" "As Ambições dos Nossos Petizes" e "Pretendo Suicidar o Suicídio".

A obra, primeira do autor, tem uma simbiose pouco comum (compilação de poesias e crónicas), retratando o percurso do autor, como jovem, e a percepção que tem do mundo que o rodeia.

Nos poemas, escritos de forma explicativa, o autor expõe as suas ideias sobre os factos com que se tem deparado no seu dia-a-dia.

O livro é comercializado a preço de mil kwanzas.

De 29 anos de idade, Ngaiele Fundão é natural de Camissombo, província da Lunda-Norte, e vive no Luena desde os seis meses de idade. Já participou num concurso denominado Primeiros Jogos Florais do Luena", promovido pela Caleng, com a parceria da Administração Municipal do Moxico (sede), onde conquistou o primeiro lugar, na categoria de poesia.

Angola não quer livros em mãos alheias

Os ministérios da Indústria e da Educação de Angola estão a trabalhar na criação de condições financeiras, materiais e técnicas para a produção de livros no país, a partir de 2010, informou o ministro da Indústria, Joaquim David.

Ao responder às inquietações de deputados da Comissão de Economia e Finanças da Assembleia Nacional sobre o sector da indústria, Joaquim David disse que o governo quer que os livros sejam produzidos no país já no próximo ano.

Até agora, pontualizou, já foi feito, no país, o levantamento das gráficas, capazes de produzir em 2010 e as que só poderão o fazer em 2011, bem como realizou-se um estudo de avaliação das capacidades individuais de cada uma destas gráficas.

Quanto à Imprensa Nacional, o ministro esclareceu que apesar da mesma contar com uma gestão independente, a empresa também fará parte das gráficas que a partir de 2010 vão produzir livros no país.

Escritora nascida no Huambo lança no Brasil livro "Felicidade após a cegueira"

“Felicidade após a cegueira” é o título do livro que a escritora angolana Maria Luísa Mendes Carmelino acaba de lançar, em Belo Horizonte, capital do estado brasileiro de Minas Gerais.

A estréia literária da autora foi organizada com apoio de amigos brasileiros, dentre os quais a coordenadora do evento realizado na noite de ontem no Museu Inimá de Paula, Jane Mascarenhas.

Em entrevista ao África 21 Digital, Jane Mascarenhas conta que a autora nasceu em Nova Lisboa, hoje Huambo, em Angola, e actualmente está radicada em Portugal.

“Maria Luísa tem profundas raízes no Brasil, para onde veio aos 23 anos, por ocasião da Revolução dos Cravos, residindo inicialmente no Rio de Janeiro”, revela a amiga. Hoje, ela tem 78 anos. Cega desde os 23, morou no Lar das Cegas em Belo Horizonte, onde fez muitos amigos.

A autora é fisioterapeuta de profissão e quis mostrar que a cegueira não a impedia de ter uma vida normal, por isso, e por contar com uma grande habilidade manual, além dos conhecimentos acadéicos , fundou em Belo Horizonte uma clínica de estética, onde trabalhou com massagens e conquistou uma vasta clientela.

O projeto de lançar um livro relatando suas memórias, especialmente a convivência no Brasil, levou a autora a concretizar o projecto, mesmo morando em Portugal, para onde se mudou, após 23 anos de residência no Brasil.

“Era um sonho antigo que ela vinha acalentando há muito tempo”, conta a amiga brasileira Jane Mascarenhas. O livro contou com patrocínios conseguidos no Brasil e tem edição da mineira Editora B.

Quarta-feira, 8 de Julho de 2009

Miguel Carvalho lança livro de reportagens

O livro de reportagens “Aqui na Terra”, da autoria do jornalista Miguel Carvalho (“Visão”), é lançado a 14 de Julho, pelas 21h30, no espaço Maus Hábitos, no Porto (Portugal), estando a apresentação da obra publicada pela Deriva a cargo do escritor Nuno Higino e da jornalista brasileira Zaclis Veiga.

De acordo com a sinopse da obra, “Aqui na Terra” é o retrato de um certo Portugal, de um país onde o humano e o divino moldam as circunstâncias da nossa condição, com quadros e figuras que constituem uma geografia de afectos e desamores, de entregas e renúncias, de comédias humanas e tragédias colectivas.

Entre as reportagens incluídas neste livro de Miguel Carvalho estão trabalhos sobre o Padre Max, o Cónego Melo, a cidade de Fátima ou os cantores da chamada “música pimba”.

Papagaio da saudade

A nossa madrugada sofreu forte
como se o vento fosse tormenta
que alimenta o fantasma medonho,
foi então que quis virar para norte
mas rumei a sul como quem afugenta
a nostalgia de um doloroso sonho.

Foi então que as esquinas da vida
me fizeram renascer a nostalgia
e embarcar no parado regresso.
Nessas esquinas vi-te perdida
entre a minha prosa e a tua poesia
como se fossemos um insucesso.

Desse norte lá da nossa banda
conseguimos gerar o horizonte
que nasce todas as madrugadas.
Nasce mas sei que nunca anda
porque há muito secou a fonte
das nossas esperanças renegadas.

Mas há sempre quem nos diga
que afinal nada seca a esperança
quando ela nasce da eternidade.
Deixa por isso que também te diga
que continuo a ser a mesma criança
agarrada ao papagaio da saudade.