terça-feira, 17 de Novembro de 2009

A Poesia de Timor: «de olhos Lavados»

Mais de quarenta poemas escritos em português e tétum, descrevem neste livro as emoções de uma viagem que homenageia Timor-Leste, numa ida dividida entre a saudade e a sedução de um regresso “de olhos lavados” .

A Lidel anuncia o lançamento do livro “de olhos lavados / ho matan moos”, um conjunto de poemas da autoria de António José Borges, com Timor-Leste em pano de fundo. Tendo como foco central Timor-Leste, as suas gentes e as suas paisagens, para além de outras paragens físicas e da alma, de olhos lavados, é o primeiro livro de poemas do autor e pode ser considerado como a narração lírica de uma viagem real e metafísica em que o autor pretende dar a impressão que o livro respira.

Este percurso definido, apesar de subtil, aspira a fazer o leitor sentir o que não sente. Desde o Douro até Timor-Leste, com passagens intermédias e não muito declaradas, apesar de localizadas, pela Indonésia e pela Tailândia, esta que motiva no autor um poema em pleno voo e inspirado pela reflexão, de olhos lavados termina sob o signo da saudade futura de um tempo presente e a esperança global num futuro diferente do passado.

Edição bilingue, com tradução do poeta timorense Abé Barreto Soares para Tétum, com ilustrações com colagens da artista plástica suíça Piera Zürchter, esta obra prima pela intersecção da imagem com a palavra e encerra em si uma poesia que oscila entre o concreto e o hermético, mas onde o pormenor surge sempre como núcleo do texto poético.

Urbano Tavares Rodrigues comenta esta obra como uma, “viagem iniciática, através do amor, da dádiva e do diálogo com a terra, metafórica visão de um paraíso agreste, da humildade e da escassez, “de olhos lavados” é bem a revelação de um autêntico poeta, de quem muito há a esperar.”

“a partida é sempre anterior
a sinto na alma dividida
esta caminha na cor indefinida do céu
do Douro amor rasante ao Timor de paixão tocante”


In “de olhos lavados”; pág. 15

segunda-feira, 16 de Novembro de 2009

(In)certezas da saudade

Não sei se alguma vez
poderei levar os meus filhos,
e os filhos dos meus filhos,
aos recantos e esquinas
da minha cidade,
dando-lhes a respirar
o horizonte que cheira
e sabe a infinito.

Sem palavras explicaria tudo.
Explicaria porque,
nas madrugadas embevecidas
pelo silêncio da pequenez
respiro o choro
de uma dor crónica.
Um dia, com ou sem o pai
com ou sem o avô,
eles acabarão por conhecer
a minha (e deles) terra.

E nessa altura,
mesmo sem saberem
o sítio exacto onde deixei
o cordão umbilical,
vão respirar o silêncio,
beber o infinito
e dormir embalados
pela certeza de que o pai
tinha razão
quando chorava
de saudade.

Terão, nessa altura,
uma lágrima no canto do olho.
Uma lágrima que ao cair
na terra quente de Angola
fará nascer uma flor.
Uma flor sem nome,
uma daqueles flores
que só alguns vêem,
que só alguns sentem.

domingo, 15 de Novembro de 2009

Movimento pelo Cineclube do Porto

O Cineclube do Porto faz parte da memória da cidade. Foi uma casa de encontro de cineastas, de gente da arte e da cultura, mas também de resistência e combate ao regime salazarista.

Foi neste cineclube que tiveram lugar grandes acontecimentos culturais, como a Semana do Novo Cinema Português e as primeiras Conversações Cinematográficas Luso-espanholas. Não se cingindo às sessões regulares, o Cineclube do Porto alargou-se aos domínios da música e do cinema experimental e documental, de que o Auto de Floripes, é o melhor exemplo.

Chegou a ser, nas décadas de 60-70, o maior Cineclube da Península Ibérica, com milhares de associados. O seu prestígio além-fronteiras era tal que foi aceite como representante dos cineclubes portugueses no acto da fundação da Federação Internacional de Cineclubes, que teve lugar no primeiro Festival de Cannes do pós-guerra - isto contra a vontade do Secretariado Nacional da Informação do Regime que pretendia, abusivamente, representá-los.


Neste contexto, um grupo de cidadãos portuenses, com o maior apreço pelo Cineclube do Porto e pelo importantíssimo papel que este desempenhou durante décadas, está preocupado com a situação actual.

Várias vicissitudes fizeram com que esta instituição fosse definhando, pondo em risco o seu valiosíssimo acervo documental, bibliográfico (incluindo revistas especializadas, nacionais e estrangeiras) e filmográfico. Uma pequena parte deste espólio esteve já em exposição no Arquivo Histórico Municipal do Porto, situado na Casa do Infante, a propósito do Centenário de Manoel de Oliveira, entre Dezembro de 2008 e Fevereiro deste ano.

Mas neste momento, as suas instalações degradam-se e a sede já foi objecto de uma acção de despejo e actos de vandalismo. A actividade cineclubista é também praticamente nula, sem exibições regulares ou qualquer abertura ao público. Inscrever-se como sócio é impossível, contactar com a Direcção também, conforme constatamos nas últimas semanas.

Face a esta situação, formou-se um Movimento, aberto e heterogéneo, de antigos dirigentes e sócios, membros de cineclubes universitários e outros apaixonados pelo Cinema. Pretendemos contribuir para renovar e dinamizar o Cineclube do Porto, restaurar o seu prestígio e importância histórica na cidade, que reclama há muito uma alternativa de Cinema.

Todos os antigos cineclubistas, e todos aqueles que gostem de Cinema, serão bem-vindos a esta causa.

quarta-feira, 11 de Novembro de 2009

«Histórias para lermos juntos»

O livro «Histórias para lermos juntos», de Maria Clara Miguel, vai ser apresentado ao público no próximo sábado, dia 14 de Novembro, na Biblioteca Municipal de Gondomar (Portugal).

Mais do que um livro para crianças e jovens, «Histórias para lermos juntos» destina-se a ser lido a crianças e jovens, num convite claro à partilha entre gerações.

Entrada livre e, obviamente, aconselhável a todas as idades.

Sempre gostei de lhe chamar Clarinha!
Talvez porque …
Abre um claro e sorridente espaço às qualidades dos seres que giram à sua volta.
Ama a Vida e o seu trabalho, ligando, claramente, as pessoas a esse amor.
Partilha a leitura e a escrita de estórias de forma tão clarividente que a seguimos, como se lhe déssemos a mão, por lugares reais e imaginários.

Capta, no seu dia-a-dia, pedaços de vida, clareando-os, inteligentemente, com humor, doçura e beleza. Cria estórias que são viagens-pontes para uma solidariedade universal.

Juntos, então, abramos página a página…

Doutora Sssapientísssima: As voltas que a sabedoria dá para se tornar mais clara.

Uma Tarde Fenomenal: Prodígios que caem aos nossos pés, como laranjas, ou desabam sobre a nossa cabeça, como granizo.

Uma Gata Especial: Um menino curioso, uma gata diferente, um país de sol e frescas sombras.

A Magia do Natal: Questões de uma menina que começa, atentamente, a compreender mistérios do Natal e da Vida.

A Formiguinha Adosinda: Um menino brilha, tem cabelos cor do sol e compreende a linguagem de uma formiguinha, que busca sabores trazidos pelo Verão.

O vestido: A luz do dia produz novos seres. Podem viver estórias que o tempo não apaga.

Amir Aziz: Ninguém tem o poder sobre todos os oásis e muito menos de tornar a vida dos outros num deserto.

Anões e Gigantes: Seres retirados das trevas por outros, aparentemente, pequenos e frágeis.

O Sonho – Um sonho para uma vida e um mundo que se querem diferentes.

A Festa e Os Intrusos: Personagens surpreendentes que clarificam a Gramática na Festa das Palavras e da Linguagem.

Isaura, Maria Clara Miguel - dois nomes para um rio que, sereno e luminoso, começa a correr…
Dolores Garrido

Maria Clara Miguel é também Isaura Afonseca, professora de Português e Francês na Escola Secundária de Gondomar. Mora no Porto. Sempre gostou de ler, principalmente ficção ou, como agora se usa dizer, estórias - longas ou curtas. Porém, só há pouco tempo descobriu a escrita. Esta escrita.

A Stora, de 43 anos e mãe de dois petizes, cansou-se de só escrever relatórios, actas e recados e decidiu, também ela, "brincar ao faz de conta", ser outra e pôr a Vida no papel. Elegeu os mais pequenos como protagonistas, porque, como dizia Fernando Pessoa, "o melhor do mundo são as crianças"!

E os sonhos... diz, também, ela.

E que pena é não haver biografias feitas de sonhos! Esta seria bem mais longa...

sábado, 7 de Novembro de 2009

Galhos partidos pela saudade

Olhei a chuva amarga que batia
tão felina quanto agre e agreste
nas vidraças do meu triste coração.
Fiquei sem saber se era pesadelo
ou apenas a saudade de uma dor
que fez da oração um simples abafo.

Olhei a penumbra que vinha do sul
como se com ela viessem notícias
da minha banda, da outra banda.
Fiquei sem saber se a saudade vive
ou se apenas é miragem africana
num coração que baloiça ao vento.

Olhei a madrugada que sonolenta
dormia aos pés da noite sem luar,
como se fosse um canto nostálgico.
Fiquei sem saber se aquele sabor
a loengos nas esquinas da alma
era mais do que a noite esquecida.

Olhei o dia que não nascia como devia
à procura de uma razão para amanhã,
mesmo que ténue no meu horizonte.
Fiquei sem saber porque não canta
o catuitui que todos os dias poisa
nos galhos partidos da minha alma.

quinta-feira, 29 de Outubro de 2009

"Pedaços de Vida" de Divaldo Martins

A primeira obra literária do escritor angolano Divaldo Martins, intitulada "Pedaço de Vida", foi apresentada hoje em Luanda, com uma tiragem de três mil exemplares.

Em entrevista à Angop, Divaldo Martins explicou que a obra reflecte a dor, o bem-querer e fundamentalmente a vida íntima de algumas pessoas que por si conhecidas.

"Falo sobre a vida de um grupo de pessoas, isto é, a existência de pessoas que, no fundo, se reproduzem nas nossas vidas, pois todos confrontamo-nos com a morte, temos dores, prazeres e amigos. O romance fala de tudo isso, mas centralizando um facto verídico".

De acordo com o escrito, todos os cidadãos são num instante de sua existência um pedaço da vida de outras pessoas."Na verdade, não somos mais do que pequenos fragmentos soltos", disse.

Segundo Humberta Martins, personagem da história, quando começou a ler o livro, crescia a vontade de virar imediatamente e passar à próxima.

Disse ter sido nesse momento que percebeu que o escritor não tinha inventado nada e apenas contava a história da vida.

"Por mais que cada um de nós julgue que está a viver a sua vida própria vida, na verdade vive parte da história do mundo, o que causa a integração de uns com os outros", acrescentou.

"O que nós fazemos, mesmo sem saber, afecta hoje ou amanhã a vida de outras pessoas. Um gesto de carinho, uma palavra de afecto, todas essas atitudes aparentemente individuais fazem parte do entrosamento do mundo e transformam a dinâmica da vida, da nossa e de outras", sustentou.

Divaldo Martins nasceu em Luanda, a 27 de Fevereiro de 1977. É licenciado em Ciências Politicas, pelo Instituto Superior de Ciência Politicas de Segurança Interna, de Portugal.

Mestrando em Estratégia, pelo Instituto Superior de Ciência Social e Politica, frequenta o 4º ano de Direito na Universidade Agostinho Neto.

Estudou Letras, especialidade de Português, até ao 2º ano, no Instituto Superior de Ciência da Educação de Luanda, e foi jornalista da Agência Angola Press (Angop), tendo assinado textos de opinião nalguns dos principais jornais do país.

“As Extraordinárias Aventuras da Justiça Portuguesa”, um livro de Sofia Pinto Coelho

A jornalista Sofia Pinto Coelho, da SIC, lança a 2 de Novembro, no Antigo Tribunal Militar de Santa Clara, em Lisboa, o livro “As Extraordinárias Aventuras da Justiça Portuguesa”, um retrato verídico do mundo dos juízes, advogados, polícias e procuradores de Portugal.

António Pires de Lima e João Miguel Tavares farão a apresentação deste livro com histórias que podem parecer insólitas, estranhas e até surreais, como o caso do roubo do queijo fatiado no valor de 1,29 euros que foi a julgamento e ocupou o sistema judicial durante dois anos.

Pelas páginas desta obra, publicada pela Esfera dos Livros, passam juízes, advogados, procuradores, funcionários judiciais e pessoas comuns que quando a justiça lhes bateu à porta perceberam que, para além de cega, a justiça em Portugal pode tornar-se numa aventura absolutamente extraordinária.

Licenciada em Direito, Sofia Pinto Coelho começou a sua carreira jornalística no “Expresso” e, desde 1992, trabalha na SIC, onde se especializou em temas jurídicos e apresentou o programa “Falar Direito”, que lhe valeu o Prémio Justiça e Comunicação Social Dr. Francisco Sousa Tavares, atribuído pela Ordem dos Advogados. Actualmente coordena o programa “Perdidos e Achados”.