sábado, 27 de dezembro de 2008
quinta-feira, 25 de dezembro de 2008
Sem direito a ter nascido
Nas esquinasem que dormem
acordados irmãos,
vejo a nostalgia
dos que morrem
sem direito a nascer.
Estão em todos os lados,
mas nenhum dos lados
lhes dá a esquina
que os ajude a dobrar
os cantos sinuosos
de uma vida perdida
mesmo antes de olharem
um sol que, dizem,
quando nasce
é para todos.
Para todos
os que tiveram a sorte
de um dia terem
nascido.
quarta-feira, 24 de dezembro de 2008
A saudade atira a matar
… pouco tempo depoisAngola entrou
em guerra.
Fomos uns
para cada lado.
Meses depois,
vi pela última vez
o Samuel.
Estava fardado
e de metralhadora
na mão.
Mais tarde,
anos talvez,
disseram-me que o Sam
tinha morrido
em combate.
Porque carga de chuva
transformaram
o Sam num militar?
Porque carga de chuva
Angola teve de perder
um dos seus mais
válidos filhos?
Porque carga de chuva
mataram
o Samuel Pedro
...Chivukuvuku?
terça-feira, 23 de dezembro de 2008
sexta-feira, 19 de dezembro de 2008
quinta-feira, 18 de dezembro de 2008
sábado, 8 de novembro de 2008
Memória
Na linguagem cifrada do vento
descubro uma metáfora amarelo sol
um estranho e onírico sopro
num feixe de arco-íris eterno
Espreitam olhos de maldade
escondem brinquedos de fingida simpatia,
mas as recordações filtram o passado
e servem o equilíbrio instável do presente
Linda boneca de tez rosada
deita-se no perfume do tempo
que constrói transparentes certezas
num mar urgente de cetim
Quero olhar a história
matar a vergonha consentida
e ver-te brincar na memória
retocada por desejos fortuitos
Ao olhar-te adormeço para a eternidade
descubro uma metáfora amarelo sol
um estranho e onírico sopro
num feixe de arco-íris eterno
Espreitam olhos de maldade
escondem brinquedos de fingida simpatia,
mas as recordações filtram o passado
e servem o equilíbrio instável do presente
Linda boneca de tez rosada
deita-se no perfume do tempo
que constrói transparentes certezas
num mar urgente de cetim
Quero olhar a história
matar a vergonha consentida
e ver-te brincar na memória
retocada por desejos fortuitos
Ao olhar-te adormeço para a eternidade
e sorrio
Salomé Castro in Ubi Veritas
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