«Pela primeira vez em 20 anos de jornalismo, o meu Natal será "celebrado" através dos "rendimentos" do subsídio de desemprego. Na árvore de Natal, pendurei tantas bolas quanto o número de curriculos que já enviei... pode ser que o sr. das Barbas Brancas decida entrar pela chaminé e diminua os enfeites. Que a solidariedade tão evocada nesta época contagie todos os homens em cada um dos seus dias. Abraço da Maria»domingo, 20 de dezembro de 2009
Uma Maria que a todos representa
«Pela primeira vez em 20 anos de jornalismo, o meu Natal será "celebrado" através dos "rendimentos" do subsídio de desemprego. Na árvore de Natal, pendurei tantas bolas quanto o número de curriculos que já enviei... pode ser que o sr. das Barbas Brancas decida entrar pela chaminé e diminua os enfeites. Que a solidariedade tão evocada nesta época contagie todos os homens em cada um dos seus dias. Abraço da Maria»sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
Um Natal de rendimentos e coleccionismo
Este é um Natal diferente. No que me toca, passo pela primeira vez por algo de novo. Vivo dos rendimentos e dedico-me ao coleccionismo. Os rendimentos chegam pelo subsídio de desemprego e a coleccção (já numerosa) respeita às promessas de trabalho.
sábado, 12 de dezembro de 2009
Bom Natal!
Os inimigos colocampedras no nosso caminho.
Os que se dizem amigos
estendem-nos a mão
quando nelas tropeçamos.
Os verdadeiros amigos
retiram as pedras
antes de passarmos.
Tenho tropeçado em muitas.
Mas acredito que se não fossem
os verdadeiros amigos
tropeçaria muitas,
mas muitas, mais vezes.
Aos inimigos
(porque sem eles
eu não saberia
quem são os amigos),
aos que se dizem amigos
(porque lá vão
estendendo a mão,
às vezes com visível custo)
e aos verdadeiros amigos
(porque, apesar de poucos,
são preciosos)
desejo em bom Natal
(na proporção
que cada um deles merece).
quarta-feira, 25 de novembro de 2009
«Borja da Costa - Poemas - Klibur Dadolin»
Um conjunto de poemas timorenses que transcrevem a rebeldia educacional e religiosa a par com as ideias revolucionárias de Borja da Costa, autor do hino nacional de Timor-Leste, numa época em que a luta social despontava neste país. A Lidel anuncia o lançamento do livro “Borja da Costa - Selecção de Poemas / Klibur Dadolin”, da autoria de Luís Costa, que apresenta uma compilação de poemas de Borja da Costa, seu irmão, numa edição bilingue, em português e em tétum.
Os poemas de Francisco Borja da Costa mostram o profundo conhecimento das regras de poesia tradicional, em que transparece o desejo de sensibilizar o povo explorado, através de uma linguagem que está enquadrada no espírito da época anti-colonial e na luta social através da revolução.
Tal como é referido num dos seus poemas, “Porque é que o Timorense há-se curvar-se para sempre?”, “Abre os olhos, o novo dia chegou à nossa terra”.
A sua poesia aborda os problemas regionais a nível da educação e do desenvolvimento, sendo influenciada pelos movimentos de libertação africanos e dos estudantes da Casa de Timor em Lisboa, bem como, pela percepção das injustiças e desigualdades com que se foi deparando na convivência com os portugueses na tropa e aquando do seu trabalho na administração pública.
Esta obra reúne os poemas de Borja da Costa, em edição bilingue – Português/Tétum ou Tétum/Português, conforme a língua do original – traduzidos pelo seu irmão Luís Costa que os organizou e ainda aperfeiçoou algumas traduções já existentes.
“Estrela d’Alva no Céu
Vem orientar o caminho!
Vem mostrar o caminho certo
Que nos leve à luz
Vem iluminar a consciência de Timor
Vem abrir os seus olhos.”
In “Borja da Costa”; pág. 37
Francisco Borja da Costa nasceu em Fatu-Belak, no dia 14 de Outubro de 1946. Entrou para a função pública, em 1967, a título experimental. De 1968 a 1971 cumpriu o serviço militar obrigatório e, terminado o mesmo, regressou à função pública, na categoria de aspirante da Repartição de Gabinete.
Em 1973 esteve em Lisboa de licença onde frequentou a Casa de Timor. De regresso a Díli participou mais activamente nos encontros nacionalistas e, quando se deu o 25 de Abril de 1974, entrou para o movimento ASDT (Associação Social Democrática Timorense).
No dia 7 de Dezembro de 1975, dia da invasão indonésia, desprevenido e sem possibilidade de fugir para as montanhas, Borja da Costa foi assassinado nessa madrugada à frente da sua residência em Kolan-ibun, Bairro dos Grilos.
O seu corpo juntamente com o de outros membros da Fretilin e da Apodeti (Associação Popular Democrática de Timor) foi lançado ao mar tendo sido enterrado, posteriormente, na praia entre Lecidere e a ponte Santana, segundo dizem, ao pé de um coqueiro.
terça-feira, 24 de novembro de 2009
O silêncio que se ama e respira
Um dia lá irás respirar o silêncio,beber o infinito, e chorar a saudade
que fez do pai um pobre sonhador
que não sabe se sonha
ou se se limita a olhar
o passado pelos recantos
do futuro, ou pelas esquinas
que no presente moribundam.
Eu sei que reponho o sonho
no que não me limito a olhar
seja o futuro ou o presente
pelos recantos do passado.
Não te importes com as lágrimas
que inundarão a terra quente,
a terra quente da minha de Angola.
Nesse dia, entre o silêncio,
o infinito e a saudade nascerá uma flor.
Que flor? Perguntarão alguns,
ao verem-te olhar o horizonte
pelo sorriso que foi do teu pai.
Não te preocupes porque essa será
uma flor tão rara que só tu verás,
que só nós dois sentiremos.
«Chicoronho», de Jorge Caluquembe
terça-feira, 17 de novembro de 2009
A Poesia de Timor: «de olhos Lavados»
Mais de quarenta poemas escritos em português e tétum, descrevem neste livro as emoções de uma viagem que homenageia Timor-Leste, numa ida dividida entre a saudade e a sedução de um regresso “de olhos lavados” .A Lidel anuncia o lançamento do livro “de olhos lavados / ho matan moos”, um conjunto de poemas da autoria de António José Borges, com Timor-Leste em pano de fundo. Tendo como foco central Timor-Leste, as suas gentes e as suas paisagens, para além de outras paragens físicas e da alma, de olhos lavados, é o primeiro livro de poemas do autor e pode ser considerado como a narração lírica de uma viagem real e metafísica em que o autor pretende dar a impressão que o livro respira.
Este percurso definido, apesar de subtil, aspira a fazer o leitor sentir o que não sente. Desde o Douro até Timor-Leste, com passagens intermédias e não muito declaradas, apesar de localizadas, pela Indonésia e pela Tailândia, esta que motiva no autor um poema em pleno voo e inspirado pela reflexão, de olhos lavados termina sob o signo da saudade futura de um tempo presente e a esperança global num futuro diferente do passado.
Edição bilingue, com tradução do poeta timorense Abé Barreto Soares para Tétum, com ilustrações com colagens da artista plástica suíça Piera Zürchter, esta obra prima pela intersecção da imagem com a palavra e encerra em si uma poesia que oscila entre o concreto e o hermético, mas onde o pormenor surge sempre como núcleo do texto poético.
Urbano Tavares Rodrigues comenta esta obra como uma, “viagem iniciática, através do amor, da dádiva e do diálogo com a terra, metafórica visão de um paraíso agreste, da humildade e da escassez, “de olhos lavados” é bem a revelação de um autêntico poeta, de quem muito há a esperar.”
“a partida é sempre anterior
a sinto na alma dividida
esta caminha na cor indefinida do céu
do Douro amor rasante ao Timor de paixão tocante”
In “de olhos lavados”; pág. 15
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