sábado, 13 de março de 2010

Livro debate papel do jornalismo televisivo

Provocar o debate sobre a importância do jornalismo televisivo para a construção social da realidade e para a procura do conhecimento é um dos objectivos do livro “As Notícias nos Telejornais”, de Nuno Goulart Brandão, que será apresentado a 22 de Março, pelas 18h30, no El Corte Inglés, em Lisboa, pelo jornalista e professor universitário Jacinto Godinho.

Fruto de dez anos de investigação, a obra publicada pela Guerra e Paz analisa os telejornais dos três principais canais de televisão portugueses – RTP1, SIC e TVI –, concluindo que o jornalismo televisivo tende, cada vez mais, a condicionar os seus conteúdos às audiências, com o objectivo de garantir a sua sobrevivência e às custas dos valores cívicos e dos interesses dos cidadãos.

Nuno Goulart Brandão nasceu em 1966, é mestre em Comunicação, Cultura e Tecnologias de Informação, doutorado em Sociologia da Comunicação, da Cultura e da Educação, e durante 20 anos trabalhou na RTP, tendo sido um dos coordenadores gerais do Projecto Fénix de reestruturação da empresa.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Poeta do musseque

Eu Sou
o poeta do musseque
dos bairros de lata
dos dias sem água
sem luz
a minha alma é escura
a minha alma é seca
a minha tristeza é muito triste
a minha amargura é muito amarga.
A doença da vaidade
vagueando por esta cidade
de mãos dadas
com a falsidade.
A biblioteca abandonada
vestida de pano.
O rosto melancólico
estampado em cada angolano.
O poeta que traz
o realismo
o neo-realismo na caneta
vivo entre vós
mas não faço parte
deste planeta.
A verdade
como as promessas de Deus
tardo
mas nunca falho
O tudo
O nada
O sim
O não
A certeza nessa longa jornada
O filho que muito ama esta terra
O que não posso dizer
O monami que esta terra
viu nascer...

Sandro Feijó (Poeta Universal)

domingo, 28 de fevereiro de 2010

As ovelhas com pele de lobo

Tu lembras-te, meu amigo,
quando nos tempos da nossa infância
liamos, com muita atenção
e até com algum medo da situação,
a história do lobo matreiro
que se vestiu com pele de cordeiro.
Hoje a história é diferente.
Andam por aí muitas ovelhas tresmalhadas,
bem vestidas e perfumadas,
que vestem a pele do lobo
para que as pessoas as temam
e vivam assustadas.
Para esses quadrúpedes
que não conseguem erguer a coluna vertebral
na vertical
eu adopto um comportamento de besta
e dou-lhes coices mesmo no centro da testa,
sem recear as cornaduras
dessas criaturas.

José Filipe Rodrigues

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

O Artoliterama apoia Fernando Nobre

Com ele Portugal poderá voltar a ser um Estado de Direito. Com ele o poder das ideias valerá mais do que as ideias de poder. Com ele a força da razão vencerá a razão da força. Com ele os jornalistas voltarão a acreditar que dizer o que pensam ser a verdade é a sua mais sagrada missão.

sábado, 23 de janeiro de 2010

Lançamento de “O Combate Ilustrado”

Na próxima terça-feira, 26 de Janeiro, pelas 19 horas, a Casa da Achada, em Lisboa, serve de palco ao lançamento de “O Combate Ilustrado”, livro com mais de 200 páginas que reúne ilustrações e bandas desenhadas de 40 artistas publicadas no jornal “Combate” ao longo de 22 anos, entre 1986 e 2007.

Coordenado por Jorge Silva, que também tratou do design e de parte dos textos, este livro conta ainda com textos de Heitor de Sousa, capa de Rui Belo, produção de Luís Branco e Tiago Gillot e fotografia de Valter Vinagre, estando disponível uma versão resumida em PDF no endereço http://combate.info/media/combateilustradonet.pdf.

Os artistas cujas ilustrações e bd integram o livro são Alain Corbel, Alice Geirinhas, André Ruivo, Ângelo Ferreira de Sousa, Carlos Marques, Catarina Carneiro de Sousa, Cristina Sampaio, Diniz Conefrey, Francisco Vaz da Silva, Fernando Torres, Fonte Santa, Frederico Mira, Gonçalo Pena, Isabel Carvalho, Joanna Latka, João Fazenda, Jonas, Jorge Silva, Jorge Varanda, José Cerqueira, José Feitor, Luís da Silva, Miguel Cabral, Nicolau Tudela, Nuno Costa, Nuno Gonçalves, Nuno Neves, Nuno Saraiva, Patrícia Garrido, Paulo Cintra, Pedro Amaral, Pedro Burgos, Pedro Cavalheiro, Pedro Pousada, Pedro Zamith, Relvas, Renato, Richard Câmara, Rui Silvares e Vasco.

Um abraço com 35 anos de atraso

Há dias assim,
em que quase tenho pena de mim.
Acordo cansado
e todos os ventos sopram num sentido errado,
deixando-me triste,
desanimado
e numa rouquidão interior,
sem ideais, nem voz, nem ambições,
isolado das multidões.
Soltam-se lágrimas
quando desejaria sorrir.
Apetece só dormir,
dormir um sono demorado,
sem calendário nem horário,
para acordar novamente
diferente,
sem sentir nojo da minha viuvez,
da minha pequenez.
Só apetece dormir
um sono com sonhos impossíveis,
que faça despertar a fantasia
e acordar num novo dia.
Ao entardecer desses dias,
eu tenho sempre a certeza
de que essas arrelias
são apenas desafios transitórios,
os purgatórios
antes do regresso do verde à paisagem
da minha viagem.
Para que hei-de ter pena de mim,
nesses dias assim assim,
se eu conheço as linguagens
dos sete sentidos do corpo
que me fazem acordar?
Pobres dos que não conseguem despertar.

José Filipe Rodrigues

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Feliz (isto é como quem diz!) 2010

Um dias destes os donos da comunicação social portuguesa (bem como os donos dos donos) ainda vão descobrir que mandar jornalistas para morrerem nas zonas de conflito sai mais barato do que fazer despedimentos colectivos.